Foto: Divulgação/Estúdio de Inverno

Rodovia deslumbrante e arriscada, a Serra do Rio do Rastro exige atenção máxima, principalmente no inverno. O patrulhamento da Polícia Militar Rodoviária é vital para garantir a segurança dos motoristas que enfrentam temperaturas negativas, pistas congeladas e curvas traiçoeiras.

No alto da Serra, em Bom Jardim da Serra, está o Posto 21 da Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina. De lá, o sargento Erlon Cantelli e sua equipe coordenam um trabalho minucioso de vigilância, sinalização e ação preventiva.

No inverno, o maior inimigo é o gelo. A água que escorre dos paredões rochosos durante o dia congela à noite, transformando trechos da rodovia em armadilhas invisíveis. Com temperaturas que podem chegar a -10°C, o risco de derrapagens é constante.

Patrulha 24 horas em 62 quilômetros de rodovia

O posto é responsável por 62 km de estrada, do final da serra até São Joaquim. Onze policiais se revezam em escalas de 24h por 72h, garantindo cobertura total da rodovia, uma das mais belas, e também perigosas, de Santa Catarina.

Entre os desafios, está o controle de veículos pesados. A descida só é permitida para caminhões com até 14 metros e PBT de 23 toneladas. Acima disso, o risco de acidentes cresce. Quando motoristas ignoram a sinalização, colocam vidas em perigo e podem causar bloqueios de até 20 horas, como já ocorreu.

Nevascas e o congelamento total da pista

Recentemente, uma nevasca obrigou o fechamento da serra por quase meio dia. Foram duas horas de neve intensa. A camada branca cobriu o asfalto, tornando-o intransitável. A liberação só aconteceu após o derretimento natural, acelerado pelo espalhamento de sal feito pela equipe do posto.

Situações como essa não são raras. O trecho entre Bom Jardim e São Joaquim acumula pontos de congelamento frequente. Em áreas sombreadas por vegetação, o orvalho noturno congela com facilidade, transformando o asfalto em vidro.

Motoristas despreparados e excesso de confiança

Segundo o comandante Cantelli, motoristas de fora da região são os mais suscetíveis aos acidentes. Muitos usam aplicativos como Google Maps ou Waze e ignoram as placas de sinalização. Resultado: percorrem quilômetros até se depararem com proibições ou perigos.

Entre os incidentes mais comuns estão tombamentos e colisões simples. Veículos pequenos batem nas muretas por falta de habilidade ou por se assustarem com as curvas. Já com caminhões, a situação é mais grave: falta de freio, excesso de carga e desconhecimento da pista têm resultado em sinistros que ainda marcam a paisagem da serra.

Orientação para enfrentar a Serra com segurança

A recomendação é clara: evite transitar à noite no inverno. A visibilidade reduzida impede a identificação de trechos congelados. Prefira viajar após as 8h da manhã, quando o sol ajuda a derreter o gelo.

Motoristas devem respeitar os limites de velocidade, observar todas as placas e jamais confiar somente no GPS. A segurança depende da prudência de quem dirige e do trabalho incansável dos policiais que patrulham a rodovia diariamente.

A Serra do Rio do Rastro é, sem dúvida, uma das paisagens mais fascinantes do Brasil. Mas, sob a beleza impressionante, esconde riscos reais que exigem respeito e atenção de todos que ousam cruzá-la.

Fonte: Portal Litoral Sul

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