Preservar o legado deixado pelos imigrantes italianos e, ao mesmo tempo, projetar o futuro da vitivinicultura catarinense. Essa é a missão que move o trabalho de Antônio Bianco, um dos responsáveis pela Vinícola Bianco, localizada na comunidade de Barracão, em Orleans.
Em entrevista ao Estúdio de Inverno, Antônio compartilhou detalhes sobre a trajetória da vinícola, que teve início com a chegada de seus antepassados ao Brasil em 1888 e evoluiu para uma marca consolidada no setor.
Segundo ele, o hábito da produção de vinhos foi passado de geração em geração, mantendo-se ativo mesmo quando a atividade era voltada apenas para o consumo próprio. A estrutura atual começou a ser construída ainda em 1990, com a adega erguida por seu pai. “A gente vendia uva in natura e o que sobrava era transformado em vinho, de forma simples, só para os conhecidos. Mas o sabor era diferente, marcante, e as pessoas voltavam a procurar”, relembra.
Formalizada como empresa em 2014, a Vinícola Bianco hoje produz cerca de 100 mil litros por ano e mantém em destaque uma variedade tipicamente regional: a uva Goethe. De acordo com Antônio, dois dos rótulos da vinícola possuem selo de denominação de origem, reconhecimento que evidencia a ligação do terroir com o perfil sensorial do produto. Um dos vinhos, inclusive, é maturado em barris de cabreúva, uma madeira nativa escolhida após testes que apontaram sua afinidade com a uva Goethe. “Ela traz aromas únicos e combina com o perfil do nosso vinho”, explicou o empresário.
O cultivo atual ocupa 5,5 hectares, sendo 3,5 em produção ativa, com variedades como Niágara, Bordeaux, Natal e Tinturina. A colheita ocorre no mês de janeiro, mas o processo de vinificação se estende até abril, pois parte das uvas também vem de regiões como a Serra Gaúcha e São Joaquim. O cuidado com cada etapa é parte do compromisso da vinícola com a qualidade. “A gente esmaga a uva manualmente, sem deixar a semente romper, para não liberar substâncias que possam prejudicar o sabor. E tudo vai direto para a câmara fria, preservando as características naturais”, detalhou.
Atualmente, a vinícola oferece cerca de 20 rótulos, entre vinhos tranquilos, espumantes e reservas. Entre eles, vinhos de mesa com uvas Niágara e Bordeaux, mas também produtos elaborados com castas finas, como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tanat, Chardonnay e Pinot Noir. Este último, na versão espumante Nature, rendeu à vinícola uma medalha de ouro no Wine Awards, em São Paulo.
Além da produção, a Vinícola Bianco aposta na experiência do visitante. O espaço está aberto à visitação de segunda a sábado, com possibilidade de passeios guiados pelos parreirais mediante agendamento. “Mais do que vender vinho, queremos que as pessoas conheçam nossa história, nosso jeito de fazer, que é simples, mas respeita a essência da terra”, afirmou Antônio Bianco durante a conversa.
Com uma produção cuidadosa, vínculos com a história familiar e um olhar atento para o potencial da região, a Vinícola Bianco segue consolidando sua presença no mercado, levando o nome de Orleans e da uva Goethe cada vez mais longe.
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Fonte: Portal Litoral Sul

